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SRE/DevOps skills map by level

What junior, mid and senior roles really test in interviews — and in what order to study. To know where you are and what comes next.

This resource is written in Portuguese.

A pergunta que mais recebo é "o que eu preciso saber para ser SRE lá fora?". A resposta honesta é: depende do nível que você está mirando. Este mapa separa o que uma vaga júnior, pleno e sênior de SRE/DevOps de fato cobra — não a lista de desejos da descrição da vaga, mas o que aparece na entrevista. Use para saber onde você está e o que estudar em seguida, nessa ordem.

Como ler este mapa

  • Cada nível assume o anterior. Sênior precisa de tudo do pleno, que precisa de tudo do júnior.
  • A ordem dentro de cada nível é a ordem de estudo que recomendo: o item de cima destrava o de baixo.
  • "Saber" aqui significa conseguir explicar para alguém, num quadro, sem consultar. Não significa ter visto um vídeo.
  • Nenhum nível exige todas as ferramentas listadas. Exige uma de cada categoria, bem sabida.

Júnior — operar o que já existe

A vaga júnior espera que você consiga dar plantão com supervisão, mexer em infraestrutura já montada e não derrubar nada. O que separa quem passa de quem não passa é Linux e rede de verdade, não a ferramenta da moda.

  • Linux de linha de comando sem medo: processos, permissões, systemd, journalctl, top/htop, df, du, ss/netstat. Saber ler um log e achar o erro.
  • Rede: o que acontece quando você digita uma URL. DNS, TCP/IP, HTTP e seus status, TLS na superfície, portas, firewall básico.
  • Git no dia a dia: branch, merge, rebase simples, resolver conflito, PR.
  • Docker: escrever um Dockerfile decente, imagem pequena, entender camadas, docker compose para subir dependências.
  • Uma nuvem na prática: criar VM, rede, bucket, IAM básico — AWS ou GCP, tanto faz, mas uma de verdade, não as duas pela metade.
  • Kubernetes como usuária: kubectl, pod, deployment, service, ingress, configmap, secret. Saber ler um "CrashLoopBackOff" e descobrir por quê.
  • Um script útil em Bash ou Python: automatizar algo repetitivo que você mesma fazia à mão.
  • Observabilidade como leitora: abrir o Grafana, entender um dashboard, saber o que é métrica, log e trace.
  • Inglês para ler documentação e responder um chat técnico. Não precisa falar ainda; precisa ler.

Pleno — construir e sustentar sozinha

O pleno é dono de um pedaço: recebe um problema, desenha a solução, implementa e dá plantão por ela. É o nível da maioria das vagas remotas para o Brasil, e onde a diferença de salário para fora é mais gritante.

  • Infraestrutura como código de verdade: Terraform com módulos, estado remoto, workspaces, e a disciplina de nunca clicar no console.
  • Kubernetes como operadora: Helm ou Kustomize, HPA, requests/limits, probes, RBAC, network policy, o que fazer quando o nó morre.
  • CI/CD com opinião: pipeline que testa, constrói imagem, faz deploy — e como fazer deploy canário ou blue-green sem derrubar produção. GitHub Actions ou GitLab CI, mais ArgoCD ou Flux.
  • Observabilidade como construtora: instrumentar um serviço, definir alertas que não acordam ninguém à toa, montar um dashboard que responde uma pergunta. Prometheus, Grafana, OpenTelemetry; ou Datadog, se for o caso.
  • SLI, SLO e error budget: definir um para um serviço real e explicar para o time de produto por que importa.
  • Incidentes: conduzir a resposta, escrever um post-mortem sem culpa, transformar em ação. Ter feito isso ao menos algumas vezes.
  • Uma linguagem de verdade além de Bash: Python ou Go, o suficiente para escrever uma ferramenta interna com testes.
  • Segurança de base: gestão de segredos, princípio do menor privilégio, imagens sem vulnerabilidade crítica, TLS em tudo.
  • Custo: saber onde a conta da nuvem está indo e propor um corte que não quebre nada.
  • Inglês para uma entrevista de uma hora e para o plantão: escrever uma atualização de incidente clara, sob pressão, em inglês.

Sênior — decidir e multiplicar

Sênior é menos sobre saber mais ferramentas e mais sobre decidir: qual arquitetura, qual trade-off, o que não fazer. E sobre fazer o time inteiro melhorar. A entrevista de sênior lá fora é quase toda system design e comportamental.

  • System design de infraestrutura: desenhar uma plataforma para N serviços com alta disponibilidade multi-região, e defender cada escolha com número (RTO, RPO, custo, latência).
  • Arquiteturas de resiliência: células, bulkheads, circuit breakers, degradação graciosa. Saber quando cada uma vale o custo.
  • Capacity planning e performance: prever a próxima quebra antes de acontecer, com dados.
  • Plataforma interna: construir algo que outros times usam sem falar com você — golden paths, templates, documentação que funciona.
  • Cultura de confiabilidade: implantar SLOs num time que não tinha, rodar post-mortems que mudam comportamento, mentorar plenos.
  • Influência sem autoridade: convencer produto e liderança a investir em confiabilidade com argumento de negócio, não de tecnologia.
  • Entrevista comportamental no formato STAR (Situation, Task, Action, Result): dez histórias suas prontas, cada uma com resultado medido.
  • Inglês para liderar uma reunião, discordar com educação e apresentar para gente que não é técnica.

O que aparece em toda vaga e ninguém estuda

  • Comunicação escrita: mensagem de incidente, RFC de mudança, comentário de PR. Metade do trabalho remoto é texto.
  • Fuso e assincronia: saber trabalhar sem reunião, documentar decisões, não depender de resposta imediata.
  • Dizer "não sei, vou descobrir" numa entrevista. Vale mais que inventar.

Como usar isto

  • Marque cada item com: sei explicar, já fiz, ou nunca vi.
  • O primeiro "nunca vi" do seu nível-alvo é o que você estuda agora. Não pule para o de baixo.
  • Para cada item estudado, faça algo pequeno e real: um repositório, um post, uma automação no trabalho. Estudo sem artefato não vira entrevista.

Se você marcou quase tudo do júnior e metade do pleno, você já está pronta para começar a aplicar para pleno lá fora — enquanto estuda o resto. Vaga não espera ficar completo; ela espera que você saiba explicar o que sabe e o que está aprendendo.