Recrutador de fora não procura você no Google. Ele procura no LinkedIn Recruiter, com filtro por cargo, palavra-chave e localização. Se o seu perfil não aparece na busca, você não existe para ele. Este guia é sobre aparecer — e, quando aparecer, convencer em dez segundos.
Idioma do perfil
- Perfil inteiro em inglês. Não é "perfil bilíngue": o LinkedIn tem o recurso de perfil secundário em outro idioma, mas o principal precisa ser o inglês — é o que o Recruiter indexa por padrão.
- Título, resumo, experiências, habilidades: tudo. Um perfil metade em português, metade em inglês parece abandonado.
- Nome sem acento no campo de nome. "Ana Luiza Primo", não "Ana Luíza". Busca com acento falha em sistemas de fora.
Título (headline): o campo mais importante
O título é o que aparece na busca e no resultado. Ele precisa conter o cargo que você quer que te encontrem por, não o cargo que sua empresa te deu.
- Formato que funciona: "Site Reliability Engineer | Kubernetes, AWS, Observability | Open to remote (UTC-3)".
- Cargo primeiro, sempre. "SRE" e "Site Reliability Engineer" são buscas diferentes — coloque os dois se couber.
- Duas ou três tecnologias que definem você. Não a stack inteira.
- "Open to remote" ou "Open to relocation" no fim: é filtro de busca que recrutador usa.
- Nada de emoji, nada de "🚀", nada de "| Mentora | Palestrante | Criadora de conteúdo" antes do cargo técnico. Isso pode entrar depois, mas o cargo vem primeiro.
Foto e capa
- Foto com rosto visível, fundo neutro, roupa que você usaria numa entrevista por vídeo. Perfil sem foto tem taxa de resposta muito menor.
- Capa: opcional. Se usar, algo simples — uma foto sua palestrando funciona bem. Nada de frase motivacional.
Resumo (About)
- Primeiras duas linhas aparecem antes do "ver mais". Elas precisam dizer cargo, anos e área: "SRE with 5 years keeping high-traffic financial systems reliable."
- Três parágrafos curtos: o que você faz, com que escala, e o que está buscando. Escreva em primeira pessoa.
- Termine com como te contatar. "Open to SRE/DevOps roles, remote, UTC-3. DM or ana@…"
- Sem "apaixonada por tecnologia". Todo mundo é. Diga o que você fez com a paixão.
Experiência
- Cada cargo com dois a quatro bullets, no mesmo padrão do currículo: verbo + o que + resultado medido.
- Empresa brasileira ganha uma linha de contexto: "Stone — payments company, 2M+ merchants".
- Datas coerentes com o currículo. Recrutador cruza os dois; diferença vira pergunta desconfortável.
- Contrato internacional atual: se não puder citar a empresa, escreva "International client (US), via contract". Vazio parece buraco.
Habilidades (Skills)
- As cinquenta permitidas, com as que mais importam no topo — é o que o filtro por skill usa.
- Três fixadas em destaque: as que definem seu cargo. Para SRE: Kubernetes, AWS (ou GCP), Observability.
- Peça validação (endorsement) para colegas nas três principais. Conta pouco, mas conta.
Sinais que recrutador de fora olha
- Recomendações escritas, em inglês, de gestor ou colega. Duas boas valem mais que dez genéricas.
- Selo "Open to work" visível só para recrutadores (não o círculo verde público, se você está empregada).
- Localização: cidade e país reais. "Brazil" sem cidade some de filtros por região.
- Atividade recente: um post ou comentário técnico por semana mostra que o perfil está vivo. Não precisa ser viral.
Erros que fecham a porta
- Cargo diferente no título e na experiência atual.
- Perfil em português com título em inglês.
- Texto copiado do currículo palavra por palavra — o LinkedIn é mais informal, e o recrutador vai ler os dois.
- "Buscando recolocação" ou "em transição" no título. Diga o que você é, não o que está faltando.
Faça o teste: abra uma aba anônima, busque no LinkedIn por "Site Reliability Engineer Brazil" e veja se você aparece nas primeiras páginas. Se não aparece, comece pelo título e pelas habilidades — são os dois campos que a busca lê primeiro.